Poesia é um eco.
Quando a gente escuta um verso inédito
E ele ecoa na cabeça, como se já o conhecêssemos
É Poesia esse verso!
Ouça-me, atenção!, Poesia é um eco!
Não desses de som, entende?, é mais!
É um que tem cor, tem forma, tem dor!
É um eco que imita o voo da imaginação!
Se você pegou uma palavra
Que estacou seu dia, viva!, era Poesia!
Se você partiu uma nuvem
Que nunca se desfez, aquilo, meu bem, era Poesia!
Quando as folhas no verão do outono caem
e não voltam às árvores, ora, também é Poesia!
Poesia é um eco, à toa, vagueando pela mente
A mente, uma imensidão, reverbera tudo
Mas a gente não sabe e vai pensando que não existe
Coisa assim
Até que o mundo de fora encontra o de dentro
E a palavra à toa ressoa o caminho de dentro para fora
O eco vira companhia e sabemos da Poesia!
Tem verso que só ecoa depois de uns dias
Mas antes, ele já incomoda, como que se pungisse
Pelo silêncio enorme que deixa até voltar!
Poesia fura a gente
Vai por dentro, fisgando o espanto
– Que estava em nós –
Trazendo-o à superfície
Poesia é um eco!
Parece que cada palavra
– Do verso poético –
Se mistura na cabeça, eclodindo
Mas, de difusa, ganha status de distinta
Que viragem! Que vertigem! É incrível!
O mundo se refaz.
Poesia espanta, demole e reconstrói!
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