Ouvir o silêncio.
Enxergar o nada.
Sentir o vazio.
Os sentidos que ecoam,
colorem
e arrepiam
fazem da gente partes soltas
de um todo que é tão óbvio.
Cale-se, feche os olhos e despreze o que sente.
Não pense na memória, que é recheio pífio dos sentidos.
Abra a mente para o infinito absoluto,
seja aquela criança que nasceu desprovida de sentidos,
mais que um vegetal, um ser inerte.
Vou contar a história: um feto não tinha olhos,
nem ouvidos,
muito menos paladar;
quiçá tivesse olfato ou tato – seria talvez um pouco a gente.
Não, ele era nulo.
Suponha agora que você é essa criança, pergunto:
Você existe?
Seja esse ser e encontrará o Universo. É isso. Apenas isso.
É como ser um átomo zero Kelvin
É como ser uma árvore que não balança ao vento
É como ser invisível a qualquer ressonância
Não reverberar energias
É parar de respirar e nunca morrer
É olhar para os céus à noite sem jamais cansar
Não vibrar em nada e por nada.
Isto é o único e exclusivo fato verdadeiro. O Nada.
O Universo traz a gente para seu conforto invariavelmente:
nós morremos!
Agora, viver o nada sem morrer, talvez seja a experiência infinita
aquela que procuramos.
As religiões orientais, algumas encontraram,
a meditação talvez seja a única prática conhecida de ser o
Universo.
É viver a verdadeira morte em vida.
Cale-se, feche os olhos e o sentimentalismo, respire fundo e não tenha passado ou futuro...
Presente.
Consciência.