Deixe seu lugar vazio
O lugar será ocupado
Não há estranho nessa parte
Não há vestígios nesse continente.
Espero sentado observando o horizonte.
As aves circulam sem pressa pelos céus
Estão completas e a vida sem problemas
Elas voam baixinho.
Ouvi passos
O corredor era escuro
Ouvi medo e angústia
Mas eram só rumores do fundo da mente.
Os céus esparramam o azul brilhante
Passo tranquilo pela calçada
Som de jazz comprimido no ouvido
Lugar azul.
domingo, 26 de janeiro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
Mote: morte
–––
Mote: morte
Será fundamental viver evitando-a?
Será fundamental viver procurando-a?
Será imprescindível comê-la?
Será crucial cuspi-la?
Será bom fundi-la a outros sonhos?
A outros desejos milagrosos?
A toda melancolia?
A quais queixumes ela pertence?
Ela é sincera? Real? Sólida?
Ou é ilusão, plagio e fantasia?
A vida é exclusiva?
Se a vida é exclusiva, por que deixá-la ir?
Ela vai?
Ou ela fica?
De quem é a vida?
De quem é a morte?
Passamos nossos dias questionando
Há vida após a morte, Providência?
O ar perpetua em sua continência
Minhas palavras soltas ecoando...
A quem reclamo, então, a confidência?
Sou o toleirão da voz vil revoando?
Há na minha perfídia coerência?
Ou minha criação está agonizando?
Se traio a tradição, sofro a incerteza,
Sofro pela aspereza de minha alma,
Por desconhecer onde meus pés pisam
Há algum sentido em crer na Natureza
Das coisas fugidias e da calma?
Verdade inverossímil é como O chamam.
Continuar envolto nesse rumo desprezível
É como manter-se num rio que já secou
Não há correnteza que me leve longe
Desta dúvida etérea:
Há vida na morte ou há morte na vida?
Minha reflexão persevera
Meus olhos ardem deveras
Já não enxergo o caminho
Que há?
A morte é a vida?
Ou a vida é a morte?
–
Os colóquios bem humorados
Da galera do cemitério
Estudam como historiados
A história de quem morreu
Uns enriqueceram por toda a vida
Outros fizeram caridade em troca de regalia
Houve os que mataram para viver
Houve quem o fizesse por prazer
Mas não houve quem morresse sem culpa
De ter existido com culpa
Outros também avisaram a família
"Morro às 11h. Só não doem minha dor,
porque dessa vou precisar."
E o apego, às vezes, era maior:
"Preciso de compreensão, preciso acreditar
para me compreenderem!"
A vida é uma fonte de veneno
Um rio que nasce de flor montante
Corre imponente à jusante
Para jazer sem pressa com o que
arrastou pelo caminho.
"Desisto de tanto pensar
Carece é de ir vivendo
E quem sabe, morrendo,
Algum dia eu venha me acalmar."
Boa noite, au revoir!
Mote: morte
Será fundamental viver evitando-a?
Será fundamental viver procurando-a?
Será imprescindível comê-la?
Será crucial cuspi-la?
Será bom fundi-la a outros sonhos?
A outros desejos milagrosos?
A toda melancolia?
A quais queixumes ela pertence?
Ela é sincera? Real? Sólida?
Ou é ilusão, plagio e fantasia?
A vida é exclusiva?
Se a vida é exclusiva, por que deixá-la ir?
Ela vai?
Ou ela fica?
De quem é a vida?
De quem é a morte?
Passamos nossos dias questionando
Há vida após a morte, Providência?
O ar perpetua em sua continência
Minhas palavras soltas ecoando...
A quem reclamo, então, a confidência?
Sou o toleirão da voz vil revoando?
Há na minha perfídia coerência?
Ou minha criação está agonizando?
Se traio a tradição, sofro a incerteza,
Sofro pela aspereza de minha alma,
Por desconhecer onde meus pés pisam
Há algum sentido em crer na Natureza
Das coisas fugidias e da calma?
Verdade inverossímil é como O chamam.
Continuar envolto nesse rumo desprezível
É como manter-se num rio que já secou
Não há correnteza que me leve longe
Desta dúvida etérea:
Há vida na morte ou há morte na vida?
Minha reflexão persevera
Meus olhos ardem deveras
Já não enxergo o caminho
Que há?
A morte é a vida?
Ou a vida é a morte?
–
Os colóquios bem humorados
Da galera do cemitério
Estudam como historiados
A história de quem morreu
Uns enriqueceram por toda a vida
Outros fizeram caridade em troca de regalia
Houve os que mataram para viver
Houve quem o fizesse por prazer
Mas não houve quem morresse sem culpa
De ter existido com culpa
Outros também avisaram a família
"Morro às 11h. Só não doem minha dor,
porque dessa vou precisar."
E o apego, às vezes, era maior:
"Preciso de compreensão, preciso acreditar
para me compreenderem!"
A vida é uma fonte de veneno
Um rio que nasce de flor montante
Corre imponente à jusante
Para jazer sem pressa com o que
arrastou pelo caminho.
"Desisto de tanto pensar
Carece é de ir vivendo
E quem sabe, morrendo,
Algum dia eu venha me acalmar."
Boa noite, au revoir!
Assinar:
Postagens (Atom)