Inverno aspirado
Inverno sentido
Inverno por folhas de algodão.
Cantei e os pássaros encorujados
Assobiavam tranquilos cantigas de inverno
– Alô! Alguém feliz?
O brilho dos olhos perseverava.
O céu aprumado, cor de laranja e nuvens.
Vento rajado, tão sem igual.
Dunas de areia geladas.
Espasmos debaixo do cobertor:
pele nua arrepiada, porque se roçavam.
Rondando folhagens leves.
Folheando pelos que se excitavam.
Não era de nuvem,
nem mais de invenções
nem ainda de insensibilidade pervertida...
Era finda minha busca.
Ela sabe e Eu sei.
Depois dos invernos tristes
agora me vejo feliz, por esse clima que encanta
Aquece e vicia.
Enfim, uma nova curva desse rio tão infinito,
uma curva completa, âmbar flamejante,
cheia de esperança. Enfim!
domingo, 4 de maio de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Ponto final.
Escorre como sangue na parede
É tinta não lavada.
É poema introvertido, que sai todo sem palavras.
Não tenho vontade de ser o que me veem.
Estou feliz pelo que encontro, não pelo que encontrarei.
Morram as felicidades regurgitadas,
essas não me valem nem uma lágrima.
É tinta não lavada.
É poema introvertido, que sai todo sem palavras.
Não tenho vontade de ser o que me veem.
Estou feliz pelo que encontro, não pelo que encontrarei.
Morram as felicidades regurgitadas,
essas não me valem nem uma lágrima.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Mente, parte I
Deixe seu lugar vazio
O lugar será ocupado
Não há estranho nessa parte
Não há vestígios nesse continente.
Espero sentado observando o horizonte.
As aves circulam sem pressa pelos céus
Estão completas e a vida sem problemas
Elas voam baixinho.
Ouvi passos
O corredor era escuro
Ouvi medo e angústia
Mas eram só rumores do fundo da mente.
Os céus esparramam o azul brilhante
Passo tranquilo pela calçada
Som de jazz comprimido no ouvido
Lugar azul.
O lugar será ocupado
Não há estranho nessa parte
Não há vestígios nesse continente.
Espero sentado observando o horizonte.
As aves circulam sem pressa pelos céus
Estão completas e a vida sem problemas
Elas voam baixinho.
Ouvi passos
O corredor era escuro
Ouvi medo e angústia
Mas eram só rumores do fundo da mente.
Os céus esparramam o azul brilhante
Passo tranquilo pela calçada
Som de jazz comprimido no ouvido
Lugar azul.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Mote: morte
–––
Mote: morte
Será fundamental viver evitando-a?
Será fundamental viver procurando-a?
Será imprescindível comê-la?
Será crucial cuspi-la?
Será bom fundi-la a outros sonhos?
A outros desejos milagrosos?
A toda melancolia?
A quais queixumes ela pertence?
Ela é sincera? Real? Sólida?
Ou é ilusão, plagio e fantasia?
A vida é exclusiva?
Se a vida é exclusiva, por que deixá-la ir?
Ela vai?
Ou ela fica?
De quem é a vida?
De quem é a morte?
Passamos nossos dias questionando
Há vida após a morte, Providência?
O ar perpetua em sua continência
Minhas palavras soltas ecoando...
A quem reclamo, então, a confidência?
Sou o toleirão da voz vil revoando?
Há na minha perfídia coerência?
Ou minha criação está agonizando?
Se traio a tradição, sofro a incerteza,
Sofro pela aspereza de minha alma,
Por desconhecer onde meus pés pisam
Há algum sentido em crer na Natureza
Das coisas fugidias e da calma?
Verdade inverossímil é como O chamam.
Continuar envolto nesse rumo desprezível
É como manter-se num rio que já secou
Não há correnteza que me leve longe
Desta dúvida etérea:
Há vida na morte ou há morte na vida?
Minha reflexão persevera
Meus olhos ardem deveras
Já não enxergo o caminho
Que há?
A morte é a vida?
Ou a vida é a morte?
–
Os colóquios bem humorados
Da galera do cemitério
Estudam como historiados
A história de quem morreu
Uns enriqueceram por toda a vida
Outros fizeram caridade em troca de regalia
Houve os que mataram para viver
Houve quem o fizesse por prazer
Mas não houve quem morresse sem culpa
De ter existido com culpa
Outros também avisaram a família
"Morro às 11h. Só não doem minha dor,
porque dessa vou precisar."
E o apego, às vezes, era maior:
"Preciso de compreensão, preciso acreditar
para me compreenderem!"
A vida é uma fonte de veneno
Um rio que nasce de flor montante
Corre imponente à jusante
Para jazer sem pressa com o que
arrastou pelo caminho.
"Desisto de tanto pensar
Carece é de ir vivendo
E quem sabe, morrendo,
Algum dia eu venha me acalmar."
Boa noite, au revoir!
Mote: morte
Será fundamental viver evitando-a?
Será fundamental viver procurando-a?
Será imprescindível comê-la?
Será crucial cuspi-la?
Será bom fundi-la a outros sonhos?
A outros desejos milagrosos?
A toda melancolia?
A quais queixumes ela pertence?
Ela é sincera? Real? Sólida?
Ou é ilusão, plagio e fantasia?
A vida é exclusiva?
Se a vida é exclusiva, por que deixá-la ir?
Ela vai?
Ou ela fica?
De quem é a vida?
De quem é a morte?
Passamos nossos dias questionando
Há vida após a morte, Providência?
O ar perpetua em sua continência
Minhas palavras soltas ecoando...
A quem reclamo, então, a confidência?
Sou o toleirão da voz vil revoando?
Há na minha perfídia coerência?
Ou minha criação está agonizando?
Se traio a tradição, sofro a incerteza,
Sofro pela aspereza de minha alma,
Por desconhecer onde meus pés pisam
Há algum sentido em crer na Natureza
Das coisas fugidias e da calma?
Verdade inverossímil é como O chamam.
Continuar envolto nesse rumo desprezível
É como manter-se num rio que já secou
Não há correnteza que me leve longe
Desta dúvida etérea:
Há vida na morte ou há morte na vida?
Minha reflexão persevera
Meus olhos ardem deveras
Já não enxergo o caminho
Que há?
A morte é a vida?
Ou a vida é a morte?
–
Os colóquios bem humorados
Da galera do cemitério
Estudam como historiados
A história de quem morreu
Uns enriqueceram por toda a vida
Outros fizeram caridade em troca de regalia
Houve os que mataram para viver
Houve quem o fizesse por prazer
Mas não houve quem morresse sem culpa
De ter existido com culpa
Outros também avisaram a família
"Morro às 11h. Só não doem minha dor,
porque dessa vou precisar."
E o apego, às vezes, era maior:
"Preciso de compreensão, preciso acreditar
para me compreenderem!"
A vida é uma fonte de veneno
Um rio que nasce de flor montante
Corre imponente à jusante
Para jazer sem pressa com o que
arrastou pelo caminho.
"Desisto de tanto pensar
Carece é de ir vivendo
E quem sabe, morrendo,
Algum dia eu venha me acalmar."
Boa noite, au revoir!
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