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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Poesia Estelar

A Poesia caía das nuvens finas
O tudo virava vento macio e parado.
Que era aquele som rajado partido?
Quem partia os céus em gotas livres?

Andei por entre os rastros dos astros
À procura da imensidão do desejo
De viver o absoluto de verdades.
Sentei-me ao seu lado, Sofia.

Das estrelas eu via a luz infinita
Dos seus mundos eu sentia o meu
Corpo em partes iguais e tremidas porque
A infinitude das coisas estava em mim.

Caía dos céus a Poesia.
Fina e desprotegida ela caía.
Pensei logo, existo sem você, Sofia?
Poesia desnuda, sabedoria adquirida.

Fim de tarde, e a Poesia Estelar não me dava mais que sossego e vida, lá do alto...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Um sábio numa rua movimentada:
–.

Quem sou eu?

É uma multidão que se precipita em mim. Um milhão de vozes devoram-me de dentro para fora. É um som unívoco que ecoa em todo meu ser. Eu sei que não sou eu. É o meu passado e todo um cemitério enterrado em mim. Eu não posso ser essa colcha de retalhos. Meus pés são minha cabeça e sei que continuo infinito. Não há mais nada. Um vazio. Espaço, tempo, calafrio.
Doravante a paz estabeleceu seu domínio em mim. Calaram-se os pragmáticos semblantes, as vontades doutrinadas e os pensamentos em vão. Paz. Ouço o pulso do meu pulso e nada mais. Só e de olhos fechados no mar do nada. Sinto minha presença e mais nada. Nada há. Apenas eu.
Respiro o ar da imensidão. O silêncio ininterrupto e eterno e infinito. Aos poucos encaixo cada peça da minha mente, dos meus olhos, dos meus ouvidos, minha língua, meus pés, minha cabeça, meu pulmão, a garganta,... Nasci do nada, do vazio, dos confins da incoerência e da 'adimensão'. Dou nome às palavras que desconheço e que reproduzo. Dou-me um nome. Meu nome é Texto.

sábado, 25 de agosto de 2012

Loucos

Vivo aporto à essa multidão. Parecem desolados, meus amigos loucos!, caçando o que fazer como se estivessem sozinhos. Eles estão loucos, pode crer! Pela manhã correm por suas vidas ínfimas, parecem formiguinhas, dizendo um trilhão de besteiras por segundo(e a proporção aumenta próximo ao domingo à tarde). Divertem-se com coisas banais do tipo Faça sua Vida Feliz em Um Segundo ou Somos o que Somos, que Fazer? Parece maluquice, mas eles gostam disso. Aos poucos o mundo toma sua forma mágica de ilusão e tudo faz sentido – algo como mergulhar na bebedeira e concordar que absurdos são a pura realidade.
Eles são loucos e reconhecem isso. Admirável.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

É Preciso

Preciso respirar o ar fresco da manhã como fazem os sabiás
Lembrar meu passo calmo e despreocupado, desmedido
Quero ouvir as folhas secas caindo como fitas de seda no tapete
E as melodias dos ventos úmidos alegrando a borrasca
Tudo numa harmonia magistral.

sábado, 21 de julho de 2012

Ham?

Cansei de não escrever para o Blog. Ninguém me lê, mas isso é irrelevante... Ou talvez não. Sei lá!
Acontece que preciso parolar um tanto para ficar tudo claro. Mais para mim, é claro. É um hábito basicamente egocêntrico.
Um texto rápido para 'sagrar' esse momento...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Hiato

Preciso de um tempo e de um afastamento do blog para compor algo melhor. Para evitar textos como o último, vou me ausentar por um período que ainda não sei, pode ser de dias ou de anos – espero que seja o primeiro caso =]. Agradeço aos meus leitores poucos e cansados. Até!

Tristeza

Estou triste. Meu Amor saiu por aquela porta e deixou um vão que não se preenche nem com açúcar ou com todas as coisas do Universo – o que preferir. Ótimo! Uma presença já meio fraca do meu Amor estilhaça aos poucos aquela misteriosa razão que fora possível e agora evapora feito água. Saiu pela porta e nem disse: obrigada, mas não volto mais!

terça-feira, 1 de maio de 2012

III.Mulher

Descobri que Mulher também é verso
– Não basta vê-la na face bela
Todas são belas e impossíveis –
Tem que olhar por dentro.

II.Verso

O verso tem suas faces
E sempre quase todo mundo vê a face de dicionário
Mas não é essa, não! O nome diz, meu irmão: verso.

I.Poesia

Poesia é um eco.
Quando a gente escuta um verso inédito
E ele ecoa na cabeça, como se já o conhecêssemos
É Poesia esse verso!

sexta-feira, 30 de março de 2012

O cemitério

O cemitério com sua triste monotonia
Tem em seu cerne a raivosa preguiça
Dos que já se foram duma existência eterna,
E agora esquecida,
Para a verdadeira ironia
Que é o fim da ânsia pela vida

Sob a lápide fria
Sob triste agonia
Sobrevivem os ossinhos
Dançando uma dança de discoteca

segunda-feira, 19 de março de 2012

Princípio da verdade II

Obedeci aos meus instintos – ou talvez à minha imbecilidade. Estacionei rapidamente, havia umas doze ou treze vagas – nessa vez não contei, como era de costume. Atravessei a rua e parei diante do Alter's Clube. Um nome exótico para um boteco escondido no centro da cidade. Entrei pela porta e quase tropeço num tapete dobrado, velho e esgarçado que repousava sua irrelevância. Desci algumas escadas e num instante vi o subsolo daquela galeria imunda e desconhecida. Lá estava, Marie de Laustre.

A Sentinela II

Como posso me desfazer desse rumor?
De que O Dia chegará?
Sangue e esterco rolarão entre as multidões
Acovardadas: O fim chegou!

A Sentinela abrupta e esvanecida
Saberá apresentar-se?
Diz a Sabedoria que veremos tudo
vindo dos céus trombeteiros.

A borrasca terá seu fim eterno
Os povos pedirão clemência ao Céu
Mas ninguém ouvirá! E o mundo é caos.

Todo o Universo implodirá!
Ao som do eco absurdo!

O apocalíptico terror reinará!
A fim de que os que sabiam tivessem razão!
---
Sim, os que sabem terão razão eternamente.
Quase um orgasmo religioso.
É antever o caos para contar a todos no infinito
que tinham razão. Mas e a Razão?

A Sentinela retornará, tomando formas ilustres
capazes de comover multidões.
Aquelas multidões.
O mundo cairá e a Sentinela será eterna!

Ave à Sentinela!
Ave!

sexta-feira, 16 de março de 2012

A folha

Numa tarde de dezembro, caíra uma folha. Os pássaros cessaram sua conversa monótona e as árvores já não dançavam a velha valsa dos ventos. O céu não arquitetava formas de nuvens e as nuvens já hesitavam estáticas sob um mar avermelhado que era aquele céu de dezembro. Uma folha caíra.
Esse breve, simples e cotidiano acontecimento deteve a Natureza. Era como se um escultor detivesse seu trabalho para admirá-lo, tal como se fosse um espectador tranquilo e transiente. Que havia de especial em uma folha deixar a rigidez de sua árvore genitora para voar num curto instante de glória e repousar em seu leito de putrefação? Nada. E isso era o importante. A razão daquilo era o nada. Um instante sem explicação, singular, capaz de liquidar a razão em si.
Quem manda nesse mundo de caprichos?

terça-feira, 13 de março de 2012

Princípio da verdade I

Com que calma vou chegar? Não tenho botas nem calças para me apresentar! Eu nunca sei que jeito de olhar, a mão que colocar, o detalhe que notar; e, menos ainda, a certeza que devo decorar! Sou parvo de ideologias!

sábado, 10 de março de 2012

Futuros passados

Passa o tempo e um sentimento não passa. Parece que é estático e inalterável. Eu gostaria de saber um outro meio, fino e elegante, que transpusesse do meu estado nulo ao realizar de minha consciência. Tenho culpa de não saber o caminho certo? Ando como em círculos numa floresta turva e úmida. Posso tatear o chão, os galhos, pedras com limbo, e toda uma vida morosa e enrijecida. Mas não sei o caminho. Nem sei se há um caminho ou se meu destino é puramente esperar, buscar novidades velhas, ficar como um ancião que ainda não morreu. Não posso dizer que sou triste. Não posso dizer que sou feliz. Não posso dizer que não sou eu. Não posso... Eu tenho um futuro, mas receio que ele seja apenas o meu passado.

A Sentinela I

De vigília, esse errante sacrifício,
A Sentinela aguarda o instante físsil
De agir. Fingir estar habituado
À absoluta passividade dos... silvos...

Da noite escura e misteriosa
um grilo senil ecoa seu guizalhar
murcho e anunciante
do Hecatombe secular

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mudança?

Estou numa fase de mudança. Passei no vestibular para engenharia. Agora preciso me concentrar nisso, mas não vou deixar o blog. Quero continuar com tudo que já faço e deixar paralelo aos meus estudos esse prazer, e também uma angústia, que é escrever.
Quem sabe é uma boa coisa.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ânsia

A ânsia em te ver é quase insuportável. Eu quase percebo o mundo girar, em pânico, ao redor da minha cabeça. O chão some, a vista cansa e o silêncio deixa-me sufocado. E, ainda, procuro-te.
Acordei pela madrugada. Levantei-me e corri para a rua. Vagueava sem preocupação que não fosse a tua. Eu procurava respirar e sentir que estava vivo. De fato, estava. Mas algo em mim faltava e isso era terrível. Esse abismo que se cria e aprofunda nos meus sentidos transformava as coisas em nada. Nada valia a pena. Eu poderia sentar na calçada e chorar, mas isso já enjoava. Queria uma fuga que não me levasse a tua imagem ou ao meu passado. Contudo, por mais que eu ficasse à deriva, tudo faria sentido apenas se eu ainda pensasse em ti. O mundo era como um jornal, grafado em tons de cinza, com informações fixas e sempre desconexas... não haveria rotina dentro da rotina se tu não existisses. Cansava... Minha respiração já tardava e meus olhos... já não importavam. O coração sofria.

Um novo ano

Um novo ano traz uma sensação diferente. Como em tudo que é novo, há esperança. Mas falta. Falta algo em mim que o novo ano não pode trazer. As árvores são as mesmas, os carros e os prédios são os mesmos, a vida da cidade também é a mesma; os olhos de quem passa são os mesmos, a rotina é a mesma, a falta de ar, a apreensão pela felicidade e a dor incessante são as mesmas; os sentimentos são os mesmos, as pessoas são as mesmas... Então que sentido há em ter esperança? Esperar que a lacuna seja preenchida pelo novo, que na realidade é o velho sob uma nova imagem e textura? Ou esperar que a novidade ainda surja?
O jeito diferente de ser e pensar não chega. Não é o novo ano que dará a mim uma nova vida. Sou eu mesmo. Quem sabe isso tudo soe apenas como uma nova oportunidade para refazer as coisas? Novo ano, nova oportunidade... Não sei se é bom, mas consola um bocado.
Meu ano, então, começa assim, trôpego e enegrecido de insatisfação própria. É bom iniciar as coisas desse jeito, já meio confuso. Esse sou eu.