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domingo, 22 de dezembro de 2013

Consciência

Ouvir o silêncio.
Enxergar o nada.
Sentir o vazio.
Os sentidos que ecoam,
colorem
e arrepiam
fazem da gente partes soltas
de um todo que é tão óbvio.

Cale-se, feche os olhos e despreze o que sente.
Não pense na memória, que é recheio pífio dos sentidos.
Abra a mente para o infinito absoluto,
seja aquela criança que nasceu desprovida de sentidos,
mais que um vegetal, um ser inerte.

Vou contar a história: um feto não tinha olhos,
nem ouvidos,
muito menos paladar;
quiçá tivesse olfato ou tato – seria talvez um pouco a gente.
Não, ele era nulo.
Suponha agora que você é essa criança, pergunto:
Você existe?

Seja esse ser e encontrará o Universo. É isso. Apenas isso.

É como ser um átomo zero Kelvin
É como ser uma árvore que não balança ao vento
É como ser invisível a qualquer ressonância
Não reverberar energias
É parar de respirar e nunca morrer
É olhar para os céus à noite sem jamais cansar

Não vibrar em nada e por nada.

Isto é o único e exclusivo fato verdadeiro. O Nada.

O Universo traz a gente para seu conforto invariavelmente:
nós morremos!
Agora, viver o nada sem morrer, talvez seja a experiência infinita
aquela que procuramos.

As religiões orientais, algumas encontraram,
a meditação talvez seja a única prática conhecida de ser o
Universo.
É viver a verdadeira morte em vida.

Cale-se, feche os olhos e o sentimentalismo, respire fundo e não tenha passado ou futuro...

Presente.

Consciência.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

domingo, 15 de setembro de 2013

Ulular

O tempo é fino como areia
Escorre por um fio
Duma ampulheta costurada
Feixes de luz percorrendo um prisma
Ininterrupto e oblíquo
O não cessar cíclico
Dois, três, um infinito milhão de infinitos

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Normal

A vida é um sentimento passageiro de alegria
Alegria de que não há o nada.
A vida é uma fuga constante da morte
Morte que consola quando a vida cansa.
A vida é um sentimento de eternidade
Que não quer passar

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A chuva

I.Cor
O coração batendo violentamente, o pulso vibrante, os dedos úmidos e trêmulos, a respiração ofegante, o ar nublado naquela noite. Passava das nove e o silêncio reinava absoluto, exceto pelas pancadas surdas do coração que batia violentamente... Violentamente... Os gritos...
Os olhos turvaram de cores vermelhas e tons enegrecidos, um mar rodeava as mãos de quem já expirava, de quem não se levantaria mais.
Rostos estranhos rodeavam os céus já distantes, um prédio familiar crescia para o alto, uma garoa fina doía em quem não revidaria...
– Peço clemência... – e repetia a frase que ouvira naquela manhã.